Imagine abrir a porta de casa e ser recebido por um companheiro que, de tão grande, parece um urso fofo com olhos doces. Cachorros de raça gigante têm um carisma único: são imponentes, leais e, muitas vezes, surpreendentemente delicados com crianças e idosos. Mas por trás desse olhar meigo e desses passos pesados, há uma realidade que todo tutor deve compreender antes de trazer um desses gigantes para casa: cuidar deles exige preparo, espaço, dedicação e conhecimento específico.
Muito além do “efeito wow” nas redes sociais, esses cães têm necessidades nutricionais, físicas e emocionais distintas das raças menores. Sua expectativa de vida é mais curta, seu crescimento é acelerado e até um simples piso escorregadio pode representar um risco à saúde articular.
Neste artigo, vamos apresentar as principais raças gigantes, explicar quais cuidados essenciais elas exigem e desmistificar ideias comuns (como “cachorro grande come de tudo” ou “é só deixar no quintal que se vira”). Ao final, você terá uma visão clara e realista do que significa compartilhar a vida com um desses verdadeiros gentle giants — os “gigantes gentis” do mundo canino.
1. O Que Define um Cachorro de Raça Gigante?
Antes de listar as raças, é importante entender o que as classifica como “gigantes”. De forma geral, considera-se raça gigante aquela em que o peso adulto ultrapassa 45 kg — e em muitos casos, chega a 70, 80 ou até mais de 100 kg!
Além do peso, esses cães se destacam por:
- Altura na cernelha (parte entre os ombros) acima de 70 cm.
- Crescimento acelerado nos primeiros 6 a 12 meses de vida.
- Necessidade de mais espaço físico — tanto dentro quanto fora de casa.
- Maior desgaste em pisos, móveis, comedouros e até nas caminhas.
Além disso, por conta de seu metabolismo e estrutura óssea, cães gigantes envelhecem mais rápido. Enquanto um poodle vive em média 14 anos, um são-bernardo dificilmente ultrapassa os 10. Isso significa que o tempo com eles é precioso — e exige cuidados desde o primeiro dia.
2. Principais Raças Gigantes e Suas Características

Conhecer as raças ajuda a escolher a que melhor combina com seu estilo de vida. Aqui estão algumas das mais populares no Brasil:
São-Bernardo
- Peso adulto: 60 a 90 kg
- Temperamento: extremamente dócil, protetor e paciente.
- Curiosidade: famoso por resgatar alpinistas na neve — e por “servir” conhaque (embora na realidade nunca tenham usado o barril no pescoço!).
- Atenção: sensível ao calor. Evite exercícios em dias quentes.
Mastiff (Inglês)
- Peso adulto: 70 a 100 kg (um dos mais pesados do mundo!)
- Temperamento: calmo, corajoso e leal.
- Ideal para: famílias com espaço e rotina tranquila.
- Cuidado: propenso à obesidade e problemas respiratórios (por ser braquicefálico).
Dogue Alemão (Great Dane)
- Peso adulto: 50 a 90 kg
- Altura: pode superar 80 cm — é uma das raças mais altas do mundo!
- Personalidade: carinhoso, brincalhão e “criança eterna”.
- Dica: apesar do tamanho, adapta-se bem a apartamentos se recebendo passeios diários.
Terra Nova
- Peso adulto: 50 a 70 kg
- Curiosidade: excelente nadador, com pés palmados e pelagem à prova d’água.
- Comportamento: extremamente gentil, conhecido por “salvar” crianças brincando de afogadas!
- Cuidado: solta muito pelo e exige escovação frequente.
Fila Brasileiro
- Peso adulto: 50 a 60 kg
- Característica única: raça nacional, com pele solta e “morde” típico.
- Temperamento: protetor, territorial e profundamente leal ao dono.
- Importante: necessita de socialização intensa desde filhote.
Observação: todas essas raças têm necessidades semelhantes em termos de alimentação, crescimento e saúde — falaremos delas a seguir.
3. Alimentação: Mais Não É Melhor — É Preciso Ser Específico
Um dos maiores erros ao cuidar de um cachorro gigante é achar que, por ser grande, ele pode comer “quantidade livre” ou qualquer tipo de ração. Nada mais perigoso!
Cães gigantes passam por uma fase de crescimento explosivo nos primeiros 6 meses. Se receberem excesso de cálcio, fósforo ou calorias, podem desenvolver displasia de quadril, osteocondrose ou outras doenças osteoarticulares — problemas dolorosos e irreversíveis.
Por isso:
- Use ração específica para filhotes de raças gigantes, formulada com níveis controlados de cálcio e energia.
- Nunca suplemente com cálcio extra — o excesso é tão prejudicial quanto a falta.
- Divida a alimentação em 2 ou 3 refeições por dia para evitar torção gástrica (uma emergência comum em cães grandes).
- Evite exercícios intensos logo após as refeições.
Na fase adulta, mantenha uma dieta balanceada e monitore o peso rigorosamente. Um cachorro gigante com 5 kg a mais carrega o equivalente a 15 ou 20 kg extras para um humano — o que sobrecarrega articulações já vulneráveis.
4. Saúde: Desafios Específicos e Prevenção
Cães gigantes são predispostos a certas condições. Conhecer esses riscos permite agir antes que se tornem problemas:
Torção gástrica (GDV)
- Ocorre quando o estômago se enche de ar e gira sobre si mesmo.
- É uma emergência vital: o cão pode morrer em poucas horas.
- Prevenção: comedouros anti-engolimento, alimentação fracionada, evitar agitação pós-refeição.
Displasia de quadril e cotovelo
- Causada por crescimento desigual dos ossos e cartilagens.
- Sinais: mancar, relutância em subir escadas, dificuldade para levantar.
- Prevenção: ração adequada, evitar saltos no primeiro ano, manter peso ideal.
Problemas cardíacos
- Muitas raças gigantes desenvolvem cardiomiopatia dilatada com a idade.
- Dica: consultas veterinárias anuais com exames cardíacos a partir dos 5 anos.
Expectativa de vida mais curta
- Em média, 8 a 10 anos — contra 12 a 16 de raças pequenas.
- Por isso, cada ano conta. Invista em prevenção, qualidade de vida e momentos de afeto.
Além disso, pisos escorregadios são inimigos silenciosos. Use tapetes antiderrapantes ou aplique adesivos nas patas para evitar quedas que lesionam articulações.
5. Espaço e Exercício: Qualidade Sobre Quantidade

Contrary to popular belief, cães gigantes não precisam de “quilômetros de caminhada”. Na verdade, filhotes de raças grandes não devem fazer exercícios intensos até completarem 12 a 18 meses, sob risco de lesões osteoarticulares.
O ideal é:
- Passeios curtos e frequentes (30 a 40 minutos, 2 vezes ao dia).
- Atividades de baixo impacto: natação, brincadeiras com bola em grama, treino de obediência.
- Estímulo mental: quebra-cabeças, brinquedos interativos e socialização controlada.
Quanto ao espaço: sim, eles se dão melhor em casas com quintal, mas não é um requisito absoluto. Um dogue alemão, por exemplo, pode viver bem em apartamento desde que tenha rotina de passeios e carinho. O que ele não suporta é falta de convívio humano — esses gigantes amam estar perto da família, mesmo que só deitado no chão da sala.
Importante: nunca os deixe “só no quintal”. Cães gigantes são sociais e sofrem profundamente com isolamento.
6. Custo e Compromisso: Esteja Preparado
Cuidar de um cachorro gigante tem um custo significativo — e não é só financeiro. Considere:
- Ração: um dogue adulto pode consumir 1,5 a 2 kg de ração por dia.
- Veterinário: consultas, exames e medicações custam mais (doses maiores = preço maior).
- Acessórios: camas reforçadas, coleiras largas, comedouros elevados — tudo precisa ser tamanho GG.
- Transporte: dificuldade para viajar de carro ou avião sem planejamento.
- Tempo: escovação frequente (especialmente em raças de pelo longo), higiene das dobras (em braquicefálicos) e acompanhamento constante.
Mas, apesar dos desafios, o retorno emocional é imenso. Esses cães oferecem uma lealdade profunda, uma presença tranquilizadora e um amor silencioso que poucos conseguem igualar.
7. Adoção Responsável: Pense Antes de Encantar-se
Muitas pessoas se apaixonam pelo visual imponente de um filhote de mastiff ou terra nova — mas não imaginam o tamanho que ele terá em 8 meses. Infelizmente, isso leva ao abandono ou à doação de cães adultos que “cresceram demais”.
Por isso, antes de adotar:
- Pesquise a raça a fundo — não só sobre aparência, mas sobre temperamento, saúde e necessidades.
- Avalie seu espaço, orçamento e rotina com honestidade.
- Considere adotar um adulto já formado — muitos cães gigantes estão em abrigos precisando de um lar.
- Nunca compre por impulso. Um cachorro gigante é um compromisso de 8 a 10 anos — e cada um deles merece ser vivido com dignidade e amor.
Conclusão: Gigantes por Fora, Corações Enormes por Dentro
Cachorros de raça gigante não são apenas “cães grandes” — são seres com necessidades únicas, histórias ricas e uma capacidade extraordinária de amar. Cuidar deles exige mais do que espaço e ração: exige conhecimento, paciência e um compromisso real com seu bem-estar.
Neste artigo, vimos que:
- Raças como são-bernardo, mastiff, dogue alemão e terra nova têm personalidades distintas, mas desafios em comum.
- Alimentação balanceada, prevenção de doenças articulares e cuidados com o ambiente são essenciais.
- E, acima de tudo, esses cães precisam de pertencimento, não só de um quintal.
Se você está preparado para dar a um gigante o lar que ele merece, saiba que será recompensado com uma amizade leal, protetora e profundamente afetuosa. E se ainda está em dúvida, não há problema — o mais importante é agir com responsabilidade.
E você? Tem ou já teve um cachorro gigante? Como foi sua experiência? Compartilhe nos comentários — suas dicas podem ajudar outros tutores a cuidar melhor desses verdadeiros anjos de patas grandes. 🐾❤️

Carlos Oliveira é um verdadeiro entusiasta por animais de estimação, apaixonado desde cedo pela convivência com cães, gatos e outros bichinhos que transformam lares em lugares mais alegres. Com sua experiência prática no cuidado e na convivência diária com pets, ele busca sempre aprender e compartilhar dicas que ajudam a garantir saúde, bem-estar e qualidade de vida para os animais, acreditando que cada pet merece amor, respeito e atenção.






